sexta-feira, 4 de setembro de 2009

corrente


claudia helena villela de andrade



(Para Carlos Drummond de Andrade)



Pela calçada vai um homem,

um homem seguindo um sonho,

um sonho perseguindo alguém,

que, aflito, coloca a mão no bolso.

Os óculos quase caem do olhar.

Quase caem no chão da calçada

que o homem pisa devagar,

completamente apegado ao sonho,

enxugando as lágrimas do passado,

que ficam atrás de cada passo.



Que homem será aquele,

que pisa no seu sonho tão suave,

que guarda a mão no bolso

e encolhe os ombros?

Que homem será aquele,

que deixa os óculos respingados,

que sorri tão triste,

de tão contente?



Voz suave,

rimas ardentes.

Em cada passo,

como escravo,

arrasta atrás de si

uma corrente

de poesia.



Deve ser Drummond, o poeta.

Seu espectro e

sua candura eterna

nas calçadas de Copacabana ou Ipanema.

Nas ruas de Itabira.

Nas ladeiras de Belo Horizonte.

Em todos os lugares do vasto mundo.

Um comentário:

Belvedere disse...

Drummond deve ter ficado muito feliz com seu lindo poema. Isso é que é POEMA!!!!!!!!!!!Parabéns.