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Veneno
cláudia helena villela de andrade ( Inspirada na Cascavel da Marcia Souza...ops... que ela achou em casa)
Seus olhos de sombra .
deram bote no meu dia
falsa,mortífera,
chacoalha a bunda vadia.
Bifurca, enforca,
lava a boca de batom
maçã do amor rastejante
cujo antídoto é a poesia.
sábado, 15 de março de 2014
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Entre(tantos)
Cláudia Helena Villela de Andrade
Tantos
entre nós
dão nós
apertados.
Uns,
razão.
Outros,
paixão
Tantos,
longe de nós
Cláudia Helena Villela de Andrade
Tantos
entre nós
dão nós
apertados.
Uns,
razão.
Outros,
paixão
Tantos,
longe de nós
De
noz- moscada.
- Entre, companheiro.
O coração compreende,
o barulho, a pedrada!
Arde.
Entretanto,
dou um laço largo
e vermelho
em seu pescoço.
(sorriso esperto)
no cadafalso,
m
e
u
alçapão.
- Entre, companheiro.
O coração compreende,
o barulho, a pedrada!
Arde.
Entretanto,
dou um laço largo
e vermelho
em seu pescoço.
(sorriso esperto)
no cadafalso,
m
e
u
alçapão.
sábado, 7 de setembro de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
CULTURIX
Cartilha antiga.
Num belo dia ,
vovó viu a uva
na casa de Diva !
O AR15 estava
calibrado,
furou cinco,
fez o maior estrago!
Sapiência
Adorno o tempo
na mágica do saber,
só não sei pra quê?
Desinteligência
Ninguém pode
com fantasma letrado.
Chora, recita e autografa!
Analfabetismos
Nem alfa,
nem beta,
o bolso é que
soletra.
Diploma
Enfeite de parede,
charuto de traça.
O tempo é de trapaça.
Deus
Luz que acalma a alma,
início e meio
de todas as dúvidas.
Diabo
Fim
das
dúvidas.
quinta-feira, 14 de março de 2013
PoemAmor
cláudia helena villela de andrade
ANTES DO ATO
Só arfar,
subir a bandeira.
Língua pra lá,
língua pra cá.
É pegar ou largar.
É largar ou pegar,
numa aflição
de acasalar.
Ficar sua
embaixo da lua,
nua feito um careca,
eleva-me,
enleva-me,
leva-me,
Amém.
No ato
Abundamo-nos
de nádegas.
Que lindas!
Contraem-se,
envergonhadas,
para, em seguida,
suarem safadas.
APÓS O ATO
Nuances de nós
ficam nos lençóis
quando terminamos,
meio azul, meio verde,
tão bom, que daltônico.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Uma
criança, um nome
claudia helena villela de andrade
Era uma vez um menino chamado “Era uma
vez”. Por que será que sua mãe lhe deu
esse nome? Todo mundo perguntava e ele não compreendia. A mãe de Era uma vez,
apenas dizia que era um lindo nome que ela escutou no rádio.
Um dia, Era uma vez começou a se lembrar
dos amigos da escola que também tinham nomes esquisitos como o seu: Micael,
Maike, Ueliton, Diones, Dionatas, Tauã, Elvis Lennon, 1-2-3, 1-2-3-4,
Maniluana, Bariane, Dayg Liry, Garcy Kelly,
e se perguntava sem parar, o porquê do escrivão do cartório deixar fazer
tais registros? Permitiam que tantas crianças crescessem tristes, com vergonha
do próprio nome! Tudo por preguiça de explicar a mãe ou ao pai, que isso não
era nome que se desse a um pequenino. Tanto nome bonito, João, Carlos,
Mônica...
Carregar esse peso, não era tarefa tão
fácil. Ele sabia disso e cada vez que alguém perguntava o seu nome, ficava
morto de vergonha. Cochichava, falava bem baixinho, olhava para o chão,
timidamente. O interlocutor sempre pedia para que ele repetisse, pois não havia
entendido: — Fala mais alto, menino!
Como aquilo doía!
Um nome pode trazer traumas e nem todo
mundo tem dinheiro para pagar um advogado e trocar esse selo.
Era uma vez era uma criança triste. Não
conhecia nenhum xará daquele seu nome que a mãe escutou no rádio.
Então, teve uma grande idéia: adotar outro
nome, mesmo que só da boca para fora.
Chamaria-se Zev Amu Are, seu nome escrito ao contrário e diria para todo
mundo que era seu nome em árabe.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Um buraco sem fim
UM BURACO SEM FIM
claudia helena villela de andrade
Primaverei pela primeira vez numa véspera da
estação das flores, num vinte e dois de setembro, nem sei que ano. Foi um
dia. Não. Não é nascimento, que sou de outubro do dia cinco. É
primaverar. Mais que isso. Desabrochar, brotar, germinar, aparecer, sangrar.
Sair da meninice e ser mulher. Não é mais que nascer? É sim. É nascer duas
vezes, pois aí se atina para vida e se começa a notar que o coração bate
por um bom motivo. Quase sempre, nessa época, o coração bate por um par
de calças bem marcadas com volume e fogosidade. Feridas a gente ainda não
tem. Só as dos joelhos manchados de mercúrio cromo por algum tombo de
bicicleta ou as do canto do dedo da unha roída. Mas as cascas dessas
feridas começam a cair justo nesse momento. Só muito depois é que a gente vai
dar conta de que essas feridas eram ótimas. Mas, isso é só muito depois. Caem e
nascem outras mais dolorosas, demoradas na cicatrização. Feridas que partem pra
cima da gente como uma pedrada, sem a menor comiseração. Rápido começo de vida.
Chegam os tropeços, os enganos. Chegam as mentiras, as fantasias e os desejos. Impulsos
de botar o dedo na panela quente.
Queimar, arder, queimar, não importa. O sentir é mais que toda a primavera
junta. É toda estação florida. Cores, perfumes, calor e alguma chuva. A pele
muda. Os pés só querem dançar e o corpo balança de um jeito assanhado,
moleque, faceiro. Quem está de fora adivinha a intenção e a cara nem fica
vermelha. A cara ainda acredita na vida e nunca olha pra baixo. Tempo
bom! Ai, que saudade dói! O pensamento só se ocupava disso. Só isso.
Primaverar em paz. Pensei que fosse durar para sempre. Pensei que a velocidade
fosse coisa da modernidade. No fundo a gente pensa tudo errado de tudo. E
tudo é um buraco sem fim. Nem sei se ainda existe primavera. Existe?
sábado, 6 de outubro de 2012
PROCURANDO UM TEMA
Cláudia Helena Villela de
Andrade
Capitu sabia muito bem o que todo mundo não sabia direito.
Que ela era gay. Bentinho desconfiou. Mas, a certeza absoluta só veio quando se
revelou que ele não havia sido traído com um homem. Na verdade, seu rival era
uma sapata disfarçada. Coitado do Machado. Virou no túmulo lá no São João
Batista: “O que fizeram da minha Capitu? Já foi chamada de piranha, puta,
salafrária, mas de sapata, isso é demais da conta. Não quero mais ser escritor
nas próximas dez encarnações. Como um homem com o meu cavanhaque pode se
encarar no espelho?”.
Um homem se estrebucha quando isso acontece. Ser traído
pelo melhor amigo não dói tanto quanto ser trocado por um ser do mesmo sexo.
Assim também se sentem as mulheres que pegam seus maridos com o amigo, o
vizinho, “et caetera” e tal. O sujeito ali, de quatro, na posição em que
Napoleão perdeu a guerra... Dizem. Deve doer mesmo. Lá e cá.
Mas não se assustem. Falei de Capitu porque me veio à
mente essa personagem tão ambígua de Machado e o próprio escritor tão macho
atrás dos seus bigodes. Perguntei-me como seria se isso fosse a verdade dos
tempos que se foram. Hoje em dia, isso não teria o menor problema. Está tudo
virado mesmo, pois a bunda é apenas mais uma parte do aparelho sexual humano.
Mas Capitu gay? Isso venderia todas as edições nas ruas escuras, nos
escondidos, nos prostíbulos, nas portas das cozinhas de todo o reino. Machado,
rico ficaria. Imagina! Por que Machado não pensou nisso? E olha que o
homossexualismo não é coisa nova. Sócrates bem sabia disso. E o que seria
novidade no mundo de hoje? Big Brother, incestos, filho matando pai e mãe,
safadezas políticas, drogas, Harry Potter, clones, guerras. O que seria
novidade e venderia feito água? Nem sexo de
animal com homem é novidade. As revistas estão cheias de mulheres
fazendo com cavalos e homens com ovelhas. Não existe mais novidade. Não temos
mais nada de novo para contar.
Machado chega pra lá. Vou me deitar ao seu lado.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
A
VOZ DO MEU SILÊNCIO
cláudia helena villela de Andrade
A voz que me
fala é breve.
Não me amanhece.
Não me alisa.
Não me beija a boca.
Vacila na adrenalina do trapezista e
na coragem do
domador.
Fareja esconderijo
em sinagogas, mesquitas e
igrejas.
Procura castigo, perdão e razão
nos sete pecados capitais.
Freqüenta terreiros, lugares suspeitos.
Aguarda vento Norte
que chicoteia o
corpo.
A voz que me fala também grita.
Mas eu me calo, para não me desarmonizar.
Não transbordar afeto,
não me fazer infeliz.
Às vezes, nem sabe que existo
porque ando com os pés no chão
para não despertá-la.
Para não reconhecer tons graves
e me perder em harmonias agudas que desconheço os
ritmos
podendo, sem querer, virar hinos.
A voz que me fala me vicia.
Compassiva, me silencia.
Esvazia minha sementeira e colhe razões.
A voz que me fala arrepia.
Deseja minha flor, minha sabedoria.
Não rega.
Não fertiliza.
Não ara minha terra.
Não gira meus chacras.
Não me magnetiza.
Apenas deixa-me em transe.
A voz que me fala distancia-me das quimeras.
Não me sussurra.
Não lambe meu sereno.
Não me cobre corpo, nem me vela sono.
A voz que me fala só me faz escutar quando morre,
no silêncio da hora exata,
depois do eco, depois do suspiro, depois do alívio
da minha paixão satisfeita.
Mas o que ela me fala, mesmo na morte,
nem sempre
quero escutar.
Porque o silêncio é minha voz, sempre.
Na vida.
Na morte.
Em qualquer lugar.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
DA VINCI
Da Vinci desenhou
inventos,
outros lapidaram.
Era feliz nas
pinceladas
de aprendiz.
Sorrira muitos sorrisos
para Mona Lisa ser Colgate.
Bobagem,
ele sabia o tamanho certo da alegria.
Da Vinci não quis ser muito.
Servir ao mundo já bastava.
Mas o ar sempre dizia:
—Leonardo, inventa a Arte!
domingo, 13 de maio de 2012
domingo, 18 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
O RIO
O RIO
Cláudia Helena Villela de Andrade
H2O,
doce melancolia.
A solidão deságua
companhia.
O rio é mistério,
natureza de mim.
Mergulho imensidão
profundezas obscuras.
domingo, 22 de janeiro de 2012
VIGÍLIA
Cláudia Helena Villela de Andrade
Se eu não dormir?
Ultrapassar sem falha
A impaciência da insônia,
Das horas no vácuo,
Ouvindo o pêndulo do relógio da sala
E a luz da lua que não se mexe
No silêncio de Orion sem
cauda,
Fixa, permanente.
Vou plantar sonhos na minha
seara.
Ceifar a noite decantada de
madrugada,
Sem descanso, feito um rio de
inverno que não seca,
Filete sem vida.
Insistente.
Se eu não dormir?
O sabiá não cisca o grão na
minha mão
Porque a trava do viveiro quebrou
E os pássaros migraram de mim...
Estão aqui e deixaram-me.
Voam sobre pastagens e
Perseguem os cantos de quem nunca
morre.
Não adianta ter pássaros em gaiola.
Se eu não acordar?
Meus olhos vão sangrar
De peso e de pedra.
Minhas mãos, em cruz,
Sem o próprio abraço.
Nem a terra há de querer
O resto sólido da minha alma.
Para sempre insepulta.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Te (a ) mores
Cláudia Helena Villela de Andrade
No jantar de ontem eu comi um
gato.
Ele estava vivo e esperneava pela
minha goela abaixo.
Quando só faltava entrar a cabeça,
ele
miava, gritando feito um louco.
Eu
sentia o cheiro do mijo dele.
(Mijo de gato é selvagem, forte, agourento.)
Ele urinava até escorrer pelas minhas pernas.
Meu avesso estava todo arranhado.
Eu sangrava. Ele miava dentro de mim.
Peludo, dava-me enjôo.
Asmático, deixava-me sem ar.
Estúpido, dengoso, dissonante.
(Lua
que canta fora do céu:
nobody,
nobody.)
Gatos cantam sob a lua cheia
no silêncio do tempo.
Olhando
a gente no olho
com
amor e coragem.
Vício
Cláudia Helena Villela de Andrade
Enriquecer aborrece-me,
porque a fartura faz preguiça
numa lengalenga de balanço,
num ritmo de dar gastura.
E o que desejo, passa depressa
em dias de muita precisão.
Mas passa sem desenvoltura
nas noites aperreadas. Solidão.
Pensando no quê mais precisar
se tudo tenho e não divido.
Só quero mesmo é juntar,
dinheiro, pão, egoísmo.
Amor é divino querer,
que, acho, não vou merecer.
Então, o que posso fazer?
Enriquecer, enriquecer.
Enriquecer aborrece-me,
porque a fartura faz preguiça
numa lengalenga de balanço,
num ritmo de dar gastura.
E o que desejo, passa depressa
em dias de muita precisão.
Mas passa sem desenvoltura
nas noites aperreadas. Solidão.
Pensando no quê mais precisar
se tudo tenho e não divido.
Só quero mesmo é juntar,
dinheiro, pão, egoísmo.
Amor é divino querer,
que, acho, não vou merecer.
Então, o que posso fazer?
Enriquecer, enriquecer.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
poesia
PERENE
claudia helena villela de andrade
Perene é a água dos olhos.
Gotículas perpétuas de sal.
Filete de água que enruga a testa,
goteja, evapora e volta.
Em cada gesto a delicadeza do afeto
que embaça o sonho,
que chora, inesperadamente
nas dobras dos punhos,
na pupila da alma que a realidade degola
ofegante de medo.
Preto e branco. Desafinado. Torto.
Eternizado no sonho.
Viajante silencioso que bate a porta atrás de si
sem olhar para trás.
Com cem olhos para frente.
Se fosse cego, perene seria o eco.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Poeminha rápido
Constatação
cláudia helena villela de andrade
Semente
no chão
rega-se :
paixão
O olho de gato anuncia:
Sete vidas
Sete destinos,
Sete dores,
nenhuma saída.
domingo, 24 de julho de 2011
Belle-de-jour
BELLE-DE-JOUR
cláudia helena villela de andrade
Catherine disse à mãe que ia ao cinema naquela tarde, mas foi ao motel com dois homens. Foi amordaçada e violada. Depilaram-lhe todos os pêlos. Passaram máquina zero nos seus lindos cabelos ruivos. De volta à casa materna, contou que depois do cinema fez um tal de alisamento japonês. Não deu certo. Os cabelos caíram.
Dia seguinte, de neuve no motel, Catherine fedeu. Foi, sem saber com quem. Amanheceu vestida e morta. Degolada. A cabeça estava em cima da televisão, porém a careca estava coberta por uma peruca ruiva.
Depois do enterro, a mãe de Catherine foi ao cinema que a filha gostava tanto. Comeu pipoca, tomou refrigerante, saiu sorrindo da sessão-comédia e esqueceu a adaga na cadeira ao lado.
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